Ei, Google, eu disse “Gúguel”, entende?

Ano passado, quando postei um conteudo em que descrevia o conflito entre buscas por termos de grafia diferenciada e as tentativas do Google em corrigir intenção de pesquisa, não imaginava que chegariam os onde chegamos no dia 17 de novembro de 2011. Nesse dia fo lançado em nível global o filtro de pesquisas “Verbatim”, em português batizado de “Ao pé da letra”.

Funciona assim:

opção de filtro ao pé da letra
Faça uma busca por um termo pouco conhecido e parecido com outro. No exemplo a seguir usei a palavra “Gúguel”, assim de maneira a provocar o todo poderoso concorrente do Baidu na China e do Yandex na Rússia (sei lá, me lembra Rocky Balboa e o Igor não-sei-das-quantasKov do Filme Rocky 4). Em seguida acione o “Ao pé da letra”.

Bem, veja os resultados do buscador para a palavra Gúguel sem usar essa opção de busca:

Google corrigindo termos de busca

Sim, sim… você vai dizer que era óbvio, que qualquer um se daria conta da gafe ao digitar a palavra Google, não é? Muita calma nessa hora, porque mais de 70 mil resultados eram registrados para esse termo que, na última vez que verifiquei, não é de propriedade do povo de Mountain View. Dá uma olhada nos resultados para buscas pelo termo exato Gúguel, extraidos com uso do filtro “ao pé da letra”:

Google apresenta filtro de busca ao pé da letra

Mania de jornalista: conversar com fontes antes de divulgar um assunto. Por sorte, David Harry, conhecido por @TheGypsy no Twitter e por Sifu (maneira educada de os japoneses se dirigirem ao mestre em um Dojo) está online no Skype. David, algum comentário?

Para ele, não há qualquer componente técnico mirabolante por trás desse recurso. Trata-se apenas de desativar o filtro de análise semântica também conhecido por misspelling (mencionado por Pedro Dias no post sobre a correção de queries). Para o dirigente da sala de chat para SEOs “SEO Dojo” o Verbatim, como é conhecido o “Ao pé da letra” na interface de buscas em inglês traz a vantagem de possibilitar ao internauta realizar uma busca sem usar o recurso das aspas.

Bruno Alves, SEO do Globo.com concorda com David Harry. “Não consigo ver diferença entre isso e pesquisar entre aspas. Só ficou “na cara” de quem não conhecia”, responde, via Twitter.

Ainda no Skype, consigo falar com Flávio Raimundo, SEO baseado em Santos e com especial  que – para meu total espanto, não vê exibida a opção desse filtro.

Atualização:

Uma hora depois do post ser publicado, Ariel Lambrecht, ex-googler e Amaury Pavão, mais conhecido como @kustela, deram sua opiniões sobre o assunto. Veja:

Kustela:

Ele acredita que o filtro ‘ ao pé da letra’ tem muito pouco de tecnologia embutida. O computador não sabe se um termo é uma expressão regional ou se tem um valor semântico diferente do que está escrito. Ele faz as queries pelo termo buscado e o que vier, ele apresenta, de acordo com a relevância dada pelo algorítimo.

“Eu avalio de forma positiva. Se a busca não for bem específica, ninguém tem como saber o que a pessoa procura realmente. Esse filtro tende a trazer o que a pessoal realmente buscou. Penso que ele é como o word sem o clip de ajuda”. Valeu, Kustela!

@ArielL:

Para o ex-caçador de webspam, existe uma porção considerável de tecnologia nesse recurso. Mas, além disso, o diretor-sócio da Engeeno, fundada em parceria com Pedro Dias, o mais importante nesse recurso é o consumo de banda. Via Skype, Lambrecht diz “eu não sei exatamente como foi feito, mas sei que dependendo das pesquisas, consome muito tempo de servidor conseguir pegar a info”.

Perguntas que não saem da cabeça:

Se você clicar em “Em vez diss, pesquisar por Gúguel”são apresentados 36.400 resultados (aproximadamente) – perigosamente perto de 50% dos 73.500 indexados pelo filtro “Ao pé da letra”. Se usar as aspas, esse volume cai para perto de 11 mil…

De onde vem essa discrepância? Alguma dica?

About Klaus Junginger

Klaus Junginger é jornalista. Foi repórter do IDGNOW!, redator da ComputerWorld e contribui regularmente com diversos sites de tecnologia, sempre voltado ao mercado de searchmarketing. Depois de assumir a editoria do Portal Imprensa, deixou a organização para dedicar-se aos curso de SEO para redatores e jornalistas. Fluente em alemão e em inglês, Klaus tem dezenas de artigos sobre SEO publicados em periódicos do exterior.

2 Responses to Ei, Google, eu disse “Gúguel”, entende?

  1. PAra quem quer ler mais sobre o assunto, recomendo a leitura do link “saiba mais” nos resultados “Ao pé da letra”: http://support.google.com/websearch/bin/answer.py?hl=pt-BR&p=g_verb&answer=1734130

    Existe uma grande diferênça entre pesquisar com aspas e pesquisar “ao pé da letra”: pesquisar com aspas retorna a frase exatamente como esta escrita entre as aspas.
    Pesquisar “ao pé da letra” simplesmente desativa correções de ortografia, personalização, sinônimos, termos similares e origem das palavras.

    Ou seja: a pesquisa “ao pé da letra” não procura exatamente a frase com a ordem exata das palavras.

    Abs

  2. Bruno Alves says:

    Esses números de resultados são “ordem de grandeza”, então 36k, 73k e 11k podem (não estou afirmando que sejam) a mesma coisa.

    Históricamente, a consulta entre aspas era uma consulta “crua” ao índice, o que deveria ser a mesma coisa que o verbatin faz.

    Mas por algum motivo os resultados não são idênticos, assim, experimentei fazer as mesmas consultas deslogado, usando alguns outros termos que são erros e não algo que exista em outros países (como o caso do Gúguel).

    Deslogado os resultados são praticamente idênticos.