Extra! Extra! SEO – Bancas de jornal com conteúdo

17/09/2011
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Hoje de manhã, um sábado qualquer, levantei com uma missão:

Limpar o apartamento que tava uma zorra e ir até o Bar do Léo na Auróra nº 100, re-comer 4 bolinhos de bacalhau, tomar um (na verdade dois) cremoso(s) da Brahma para  embarcar em mais uma viagem sensacional:

Comparar a disposição das revistas e dos jornais em bancas da região central paulistana com as homes de portais noticiosos. Como percebe, carto leitor desta magnífico blog que precisa ir para a UTI, pois entendo tanto de WP quanto de criação de avestruz, aquele mamífero de hábitos noturnos, o que era uma missão transformou-se em várias. Vou me livrar de lastro, e deixar de lado a comparação com imagens de  homes dos portais de notícias.

Lavar a louça – ok!

Bolinhos e chopps – ok!

Bancas de jornal – let´s go!

A primeira banca com me deparo fica na Av. Duque de Caxias, nobre avenida que hospeda a quem vos fala/escreve.

banquinha de jornais com pouco ou nenhum conteúdo e pouco valor

Maravilhoso! Faltam-me as palavras. Bancas de jornal são as únicas homepages que têm páginas de entrada. Essas entry pages são as laterais dos quiosques, deveriam informar aos transeuntes o que pintou de quente nas páginas de revistas e de jornais. Por algum luxo, ou dedicação igual ou inferior a zero ao esforço de vendas, essa banca não tinha qualquer conteúdo nessa página de entrada (snippet de busca universal?). Uma olhadela para o interior do estabelecimento revela que possivelmente os forncedores não andam lá muito satisfeitos com os hábitos de pagamento desse empreendedor, comunicador e – dando azo à imaginação – vendedor de criancinhas, bem armazenadas em espaço nobre e fresco, ao abrigo do sol como manda o figurino (lá vem o processo). “Por favor minha senhora, quanto pelo bacurinho? É dono único? vem desverminado? Posso ver os dentes?”

Já que não há o que exibir dentro do site (interior da loja), o que o impede de colocar à mostra tudo que tem, para não dificultar ainda mais o ultracomplicado processo de conversão desse vasto repertório de vazios e de revistinhas da Mônica e do Jonas Bieber Spears on the Block Reboot?

Nichos e poluição visual

Descendo a São João, palitando os dentes e suspirando às lembranças dos quitutes fritos do Léo, vejo de longe uma banca. Não leva dois milissegundos para identificar o que esse cara vende. LIVROS. Sim, bancas lotadas de livros e sebos são um bom nicho. Todo resto pode ser baixado, transferido, copiado e plagiado à la vontè, mas livros, não. Afinal de contas, o que é xerox mesmo? Vem com MP55? Tem GPS? Ah, então não presta – longa vida aos livros.

Banca de nicho na Av. São João - livrosOlha só que mensagem eloquente. Não é preciso olhar muito para ver que, dificilmente o consumidor vai deparar-se com o último exemplar de Ana Maria Brega, Kafofo’s (publicação fictícia) ou, ainda de O Arrocho, panfleto azedo e colérico que gritou nas faculdades Unibrasil e incomodou muita gente nos idos da primeira metade do século XXI.

Não. Aqui, há livros.

E livros…

E o mais importante:

Bancas de livros têm clientes na Avenida São João em São Paulo Clientes, dispostos a comprar livros, em um lugar que os exibe de forma clara, explícita, com variedade e no lugar, por onde passam. Essa banca não está brigando com as outras inúmeras que estão espalhadas pelo centro. Não.

Esse empreendedor uniu os preceitos do bom SEO em seu lugar de venda: Conteúdo único, exclusivo naquela região.  Somados, esses fatores geram o verdadeiro ouro da tão poluída e agradecida pela vinda do Panda: VALOR. O que podemos observar, nesse momento glorioso, é o ato da conversão.

 


Quantidade de volume de conteúdo em homepages e, portanto, nas diferentes interfaces de bancas de jornais – tem algo a ver?

Acho que a reposta está lá fora, nas ruas, não nesse vídeo que tenta elucidar uma pergunta imbecil, superficial, descendente da medicina ocidental, em que são atacadas as consequências e não as causas. No referido vídeo, em exibição, nos melhores sites de SEO e de jornalismo da web, Matt Cutts responde à indagação sobre qual é o volume de informações recomendado para homepages. Pergunta típica de quem pratica mergulho livre em piscinas de bolinhas ou naquelas vendidas no Carrefour.

Se houvesse sentido nesse tipo de pergunta e, consequentemente, na resposta, as exemplos a seguir teriam algo de profundamente errado.

Muito conteúdo – pouca informação:

Conteúdo exibido de forma a propiciar uma navegação visual pobrePermita que eu comente sobre volume e disposição de informações nessa homepage:

É certo que a árvore, estrategicamente posicionada de forma a impedir que os transeunte que vêm do sentido oposto à face que exibe esse conteúdo, é um fator a ser considerado na hora de compor essa página. Ainda assim, esse enorme bloco de AdSense com um anúncio “Premium” do falecido Chico Xavier, me lembra uma penteadeira que ficava na casa de uma loira escultural com muitos vigias que vinham gozar de sua companhia e de baratos elogios de “nossa, Alfredo que enorme, jamais vi algo assim, é lindo esse seu cacetete – adoro” em troca de um salário mínimo, não tem porquê.

Uma superinteressante, uma revista alemã de qualidade duvidosa, e mais um bando de revistas que cobrem todos os assuntos, de cabo a rabo (não, este último fica dentro da banca). É muito conteúdo, mas que oferece uma navegabilidade péssima. Não é possível, nem com a melhor boa vontade desse universo em eterna expansão, definir do que se trata essa seção.

Muito Conteúdo, muita informação

Em compensação, nosso amigo da banca de livros, PhD em experiência do usuário, também conhecido como Panda Update, fez seu trabalho de forma muito competente. Há mais conteúdo em sua home. Em um primeiro momento, pode-se dizer que “tem muita coisa ali” ou “tá ruim de ler”. Mas, pense bem, quando os olhos procuram algo, existe uma noção do que se quer, do que se deseja e cobiça (Hannibal Lecter já dizia isso para Clarice Sterling no fabuloso “Silêncio dos Inocentes”), não? Então quando alguém quer livros, está disposto a navegar por uma seção, contanto que ela contenha o que ele deseja, quer cobiça.

Um papo com o Araújo

Araújo é dono de uma banca de jornais na Avenida Ipiranga. Enquanto eu registrava a composição de sua homepage, ouvi , do fundo da banca uma voz: Pra quê a foto?

Quem me conhece, sabe. Falo pelos cotovelos. Resolvo trocar um dedo de proza com o sujeito que comanda o local. Sim, ele, Araújo. Pode valer a pena. Pode?

Explico que estou fazendo um levantamento da maneira em que as informações ficam expostas em quiosques de jornais para, mais adiante, relacioná-las ao que vejo horrorizado e sob efeito de muito Tandrilaxs espalhado por nossa internet.

O que era para ser uma sucinta troca de informações do alto desse pedestal de papel sulfite umedecido que o diploma de jornalista me oferece, terminou sendo uma conversa <===> bastante agradável.

como dispor informações em homepages em em bancas de jornaisEle aplica os princípios da navegabilidade na hora de compor o seu menu, blogroll, links sugeridos, chame como achar melhor. Explica que, por exemplo, o Guia de comilanças, distribuído gratuitamente com a compra da Veja, que traz na capa Gianecchini com os cabelos a la Sinead O’Connor, tem exibição preferencial. A seta amarela mostra onde está o Guia, a negra, onde está a Veja. Não por acaso, a revista paga está próxima ao caixa, ou seja, ao botão de “adicionar ao carrinho”. Em minha cabeça começo a sentir algo semelhante a curto-circuitos com flashes da imagem do ex(?)-Jason , Pedro Dias punindo esse site por fazer black hat, na forma de cloaking – ou seja, exibir uma coisa para o motor de busca e outra para o internauta. Mais alguns minutos, e o próprio Araújo dá a dica. “Isso é venda casada, tá errado, é crime no código de defesa do consumidor”. Sim, de fato, se o cliente invocar, pode dizer que está levando algo que não quer. Problema dele e da editora; bola pra frente.

O que é Valor?

Valor mesmo, é tudo aquilo que o cliente estiver disposto a pagar a mais para ter uma vantagem, uma sensação boa, uma usabilidade nota 10. Nessa hora, o jornaleiro que, parece se divertir SEO black hat e venda casada podem ser relacionados?com nossa conversa, me mostra um exemplo mais do que didático. Ele segura duas edições da revista Caras, aquele templo de relevância e de valor informacional de uma embalagem de shampoo. Diz que o que motiva a venda dessa publicação não é a matéria do cantor escorando o muro das lamentações, nem da dupla de dois atletas (?). As pessoas vêm até as bancas procurando pelos apetrechos orientais sino-nipônicos. Segundo Araújo, “para comer pipoca”.

Um à parte:

Será que esse tipo de dinâmica não remete aos sites de compra coletiva? O investidor que distribui seus produtos “de graça” não estaria praticando tal ação de branding? Olha…

A ANJ e a opinião de um profissional

Bancas de jornal incentivam a leitura em são pauloLembram da história da Associação Nacional de Jornais e do Google News? Resumindo, é o seguinte: A ANJ distribuiu aos seus associados uma recomendação para que vetassem a indexação de seu conteúdo por parte do Google News. Em tese, o agregador de notícias servia de vitrine gratuita para a informação do internauta, sem lhes gerar visitas. Eu não sabia que a ANJ tem acesso ao Analytics do Google, gente que boma! Perguntei para Araújo se ele acredita que mostrar as capas dos principais jornais nas laterias da banca diminuiria a venda ou se a impulsionaria. “O que eu quero com isso é criar uma cultura de leitura”, responde. Diz, em um discurso que, acredito, tem ar ideológico, uma pitada de romance e motivação pessoal, querer que as pessoas parem, olhem, leiam, se inspirem, e que não acredita em nenhum prejuizo oriundo dessa distribuição de informações em forma de serviço.

Bom. Hora de agradecer pelo papo, apertar as mãos e ir para casa. Rendeu.

 TERROR:

Já no meio do caminho para casa, me deparei com aquilo que considero o terror da internet. Os famoso pop-ups. Mensagens que estão no meio de vias, atrapalham nosso acesso às informações que desejamos consumir. No caso a seguir, o pop-up é essa estande giratória. No meio da calçada e entre o consumidor e a mercadoria. Observem esse fenômeno pavoroso:

Pop-ups no meio da rua

About

Klaus Junginger é jornalista e SEO da redação do Estadão.com.br.

9 Responses to Extra! Extra! SEO – Bancas de jornal com conteúdo

  1. Larissa Ilaides on 19/09/2011 at 10:30

    Caraca klaus, ótima sacada neste artigo!! òtima comparações ;)
    Fiquei com vontade dos bolinhos de bacalhau e cremosos da brahma.
    haha.

    Abraços.

    • computerklaus on 19/09/2011 at 20:03

      Rua Auróra nº 100, uma depois da sta ifigênia. Falar com João (Garçon que acha que a sua comanda é a da mesa ao lado).

      Beijo, Dona Larih e estamos chegando em Curitiba para mais uma Oficina de SEO para Jornalistas

      CK

  2. Marcel Mouta on 18/09/2011 at 20:25

    Boas comparações, simplifica os dois mundos. No caso do captcha, este seria o “troco”.
    Depois de decidir qual revista vou levar e tirar o dinheiro da carteira, o Araújo pergunta: o troco pode ser com balas?

    Muito legal! Será compartilhado.

    Abs

    • computerklaus on 18/09/2011 at 21:47

      Marcel,

      como disse ao Pablo, vou me livrar desse captcha mais adiante, por enquanto, ele me livre de 60-100 spams por dia. Fico feliz você ter comentado. Para mim isso é valor, aquele algo a mais que você tá disposto a oferecer contra algo que gosta.

      Abraço

      ComputerKlaus

      • Marcel Mouta on 18/09/2011 at 22:00

        Se o conteúdo tem valor -como este acima- nós aceitamos a bala, duas vezes. Risos…
        Parabéns pelo trabalho que vem realizando.

  3. Pablo Augusto on 18/09/2011 at 19:07

    Ótima pegada nesse artigo.
    Faltam mais análises comparativas nessa vertente, de trazer do online equiparações de conceitos que já deveriam estar presentes a muito tempo no offline.

    Só faço minhas as palavras do Flávio. Não dificulte sua conversão (comentários) com captchas complicados ;) Opte por outras soluções mais técnicas e menos invasivas para o seu usuário como a verificação do reffer ao submeter o form dentre outros.

    No mais, ótimo artigo ;)

    • computerklaus on 18/09/2011 at 21:45

      Opa! Pablo

      sempre bom ter você aqui no site. Mas, como disse no texto, entendo tanto de wp quanto de criação de avestruz. Existe uma reforma substancial prevista, mas antes, preciso fazer o curso da @agencianuva. ;o)

      ComputerKlaus

  4. Flávio Raimundo on 17/09/2011 at 17:43

    Muito bom K.
    Acho sempre interessante comparar o mundo dos bits com o mundo dos átomos.
    O mundo dos átomos nos ajuda a entender a resolver questões do mundo dos bits :-)

    FR

    Post Scriptum: Num tinha a porra de um captcha mais simples não? Quem precisa aprender a ler é o Google, não você!

    • computerklaus on 17/09/2011 at 18:22

      Caro,

      está tudo ali, na nossa cara e fazemos de conta que não enxergamos. Afinal de contas, para que facilitar se podemos otimizar, né?

      Valeu, Bronto

      ComputerKlaus