Florianópolis, 6 de maio de 2011. Mais precisamente no pavimento superior do aeroporto internacional, encontro o livro “Manual de Redação e Estilo para Mídias Convergentes”, de Dad Squarisi.
Sim, antes disso, minhas mãos seguraram “A Biografia do Google”. “Desalmado não tem biografia”, penso. Largo a brochura e apanho o de capa verde-amarela da Geração Editorial.
Ainda no saguão, percorro as linhas à procura de conteúdo que dialogue com o search nas redações de notícias, o SEO no jornalismo ou a utilização de palavras-chave no dia-a-dia dos jornais online. Quem procura, acha.
Considerações sobre o Manual de Redação e Estilo para Mídias Convergentes e o SEO
“O que durava anos, décadas ou século agora se desfaz em meses, semanas, até mesmo em um dia”, escreve Álvaro Teixeira da Costa, presidente dos Diários Associados, na nota introdutória.
Na mosca. Não pela volatilidade do leitor, bombardeado com dezenas de informações. E sim por um comportamento que acompanho em buscas. Quando uma notícia esfria, deixa de ser publicada com maior ênfase por sites de notícias online, sinaliza ao mecanismo de busca que o fato abandonou a esfera do noticiável. Deste momento em diante, o mecanismo de buscas passa a priorizar outras fontes que ataquem as palavras-chave e blogs, fóruns e colunas. Isto diminui as chances de uma organização de notícias online continuar marcando presença na SERP (search engine result page ou página de resultados de busca).
Pág. 18. Dad cita o colega Igino Dominguez, jornalista esportivo. Escreveu Dominguez: “Uma frase jornalística tem de estar construída de tal forma que não só se entenda bem, mas que não se possa entender de outra forma”.
Como fica tal circunstância quando contraposta à maneira “burra”, ou ingênua dos mecanismos de busca interpretarem o significado das palavras?
Pouco antes de embarcar para o Olhoseo, evento de search marketing realizado na capital catarinense, pedi ao colega SEO e jornalista Barry Adams que contribuísse com minha palestra na forma de dicas sobre titulação de notícias para a web.

O que é Roo? Fuse é fuzível…
Adams enviou o vídeo abaixo em que comenta o caso da titulação em impressos a falta de harmonia com os hábitos do buscador. Na capa, o jogador Roo Wayne se mostra muito chateado com as vaias depois de um empate. Torcedores da equipe podem ver e entender na hora do que se trata. Já na percepção dos mecanismos de busca, várias palavras distorcem a interpretação da manchete. Entre elas:

Para quem você escreve?
Roo. Basta começar a digitar essa palavra no buscador para ver que ele sugere uma miríade de outros significados, entre eles o nome da atriz Rooney Mara.
E agora? Eu vejo nesse caso uma intersecção com a teoria do Gatekeeper, segundo qual o jornalista, ou as organizações de notícias têm o poder de escolher aquilo que vai ganhar as linhas de jornais, as ondas do rádio, as palavras do repórter na TV e agora os bits e bytes. Guilherme Conter, SEO e Jornalista, colega de Curitiba, por várias vezes mencionou que essa função de guarda passava às mãos do leitor. Acho que o buraco é mais embaixo. O Gatekeeping migra do o que será divulgado para o que será encontrado. De mãos atadas, redatores ficam nas mãos da inteligência artificial do desalmado buscador.
Pág. 25. Dad resume: “Existem dois tipos de adjetivos. Um: denotativo, que particulariza o objeto. Não emite opinião, informa.” O pecado na redação para web está em usar o conotativo, ao qual a autora se refere por afetivo ou subjetivo. Ainda sem condições de interpretar se o adjetivo “poético” é irônico ou não, o buscador impõe uma regra pétrea: Seja claro, escreve de forma denotativa.
Densidade de palavras-chave e concisão
“Conciso não significa lacônico, mas denso” defende Squairisi. Ainda no primeiro parágrafo da pág. 39 do Manual, continua “…No estilo denso, cada palavra, cada parágrafo devem estar impregnados de sentido.”
É o que, no universo de SEO é miseravelmente (des)conhecido por “densidade de palavra chave”. Pergunta das mais tristes. Ouvir quantas vezes um termo precisa ser repetido para alcançar melhor posição em pesquisas orgânicas. Repetida? Nenhuma, basta estar no lugar certo e não invadir o espaço de outra ideia. Isto é densidade. Um bom texto para web, é feito um cavalo de hipismo, ultrapassa um obstáculo e vai em encontro ao outro, esquece, apaga da lembrança aquilo que passou e se concentra no que vem por diante. O que nos conduz ao penúltimo comentário prosaico.
Legibilidade do texto ou “Google Reading Level”
Dad Squarisi apresenta uma fórmula em vigor desde a década de 70, usada para avaliar a dificuldade de leitura de um texto. Consiste em contar o número de sílabas por palavras encontradas em frases e parágrafos. Chamada de Flesch-Kincaid, foi desenvolvida em 1975 por J. Peter Kincaid para ser usada pelas forças navais norte-americanas. O objetivo era o de facilitar a compreensão de manuais técnicos e outros textos por parte dos militares. Em pouco tempo, tornou-se fundamento de todas as forças armadas dos EUA. É mais fácil atirar que ler.

Apenas no Google.com
Há algum tempo, em navegação pelo Google.com, me deparei com o filtro Reading Level, exibido do lado esquerdo. O funcionamento deste filtro é voltado justamente para essa fórmula. Desconfiança que já alimentava desde começar a usar as ferramentas de SEO da Bruce Clay, capazes de realizar essa análise.
A autora sugere que o redator desenvolva um texto amigável, de fácil leitura e assimilação por parte do público. E é isso que o buscador quer também. Por este motivo, frequentemente vemos que textos classificados como “advanced” (de leitura um pouco mais sofisticada) não ranqueiam em primeiro lugar. Esse tipo de artigo costuma ser de teses, defesas de mestrado e companhia. Pergunte a si mesmo: é isso que a maioria das pessoas quer? Pense no usuário… faz sentido!

Score ds conteúdos para busca por SEO Journalism no Google.com
Links, olhos e leitura linear
E Dad escreve sobre hipertexto. “… Trechos de textos se intercalam com referências a outras páginas. Um clicar muda a sequência, o código, o enfoque.”
Em outro vídeo, gravado pelo teórico de SEO Michael Martinez e enviado para ser exibido durante o OlhoSEO, Michael faz pontuações que contrastam com o júblio normalmente dedicado à inserção de links internos. “Um link no meio de um texto é um elemento que não combina com a maneira que nossa mente funciona”. Concordo. Tomados pelo desejo de:
a) Chamar a atenção do robô de buscas para conteúdos internos e atribuir-lhes importânica com base na vinculação com artigos semelhantes;
b) Aumentar a taxa de cliques internos o que estampa um sorriso na cara do departamento de marketing dos veículos de notícias online.
Os links internos permanecem parte dos conteúdos em sites de notícias na web.
Assiste:
Encontrar um link editorial, aquele inserido no meio do texto em vez de ser jogado no final do artigo, nos faz vacilar. Por uma fração de segundos avaliamos se vale ou não a pena clicar. É contrastante, pois se o texto estiver bom, com informações que buscamos, deixamos de efetuar o clique temerosos de – em uma época de navegação com múltiplas abas – sermos conduzidos para uma nova janela ou do link ser aberto na mesma aba que hospeda o artigo em curso.
De que maneira os jornais impressos, incapazes de inserir links para outras seções dentro do mesmo caderno, lidam com tal circunstância? Com os olhos. Aquelas janelas com informações curtas e complementares que dão um “spin” todo especial aos artigos.
Encontro nos olhos dos jornais impressos um espaço que poderia ser explorado com publicidade. Coisa pouca. Logomarca.
Já no ambiente digital, penso que o recurso Hotwords, aquele infâmia em forma de link desprovido de qualquer conteúdo, seja a maneira mais elegante de completar a informação.
Este post não tem conclusão. Mas tem atualização!
São Paulo, 20 de agosto de 2012. Em uma troca de tuítes com o SEO A.J. Kohn, editor do Blind Five Year Old, ele conta que o Reading Level não descende da fórmula Flesch-Kincaid. Segundo Kohn, o filtro de leitura é resultado de estudos estatísticos, desenvolvidos em conjunto com professores.
hmmmmmm. Mas que é parecido, é. Ou “que ela gira, gira”.
Valeu?
